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03 dezembro 2015

Amiga, precisamos conversar sobre GAROTAS DE VIDRO!

ITEM 20- UM LIVRO QUE SE PASSA NO INVERNO- DESAFIO CRÔNICA SEM EIRA


ESTÚPIDA/FEIA/ESTÚPIDA/VACA/ESTÚPIDA/GORDA/ESTÚPIDA/CRIANÇONA/ESTÚPIA


PERDEDORA

...

ESTÚPIDA

...

PERDIDA

...

"A verdade nem sempre é o que enxergamos"




Eu acabei de ler Garotas de Vidro, sim faz uns 25 minutos. São 8:44 da manhã e eu cheguei à última página  na poltrona do meu serviço antes que a hora de bater o ponto chegasse. Eu não ligo se não é dia de postar resenha aqui no Let's talk, porque acho que o que eu estou sentindo é muito mais importante. Estou finalizando essa resenha com o estômago estranho, e internamente estou agitada, minhas pernas estão bambas e meus olhos cheios de água. Não acho um exemplo para externar o que estou sentindo, talvez algo como quando você está se apaixonando, ou com muito medo, ou muito ansiosa, talvez excitada- não daquela forma maliciosa- ou quando você está muito orgulhosa de ter finalmente enfrentado seus maiores medos.

Não quero afugentar ninguém com minha resenha, mas vou ser o mais sincera possível.


Lia tem 18 anos e acaba de perder a melhor amiga dela, a Cassie. Ela morreu sozinha em um quarto de motel e antes de morrer ela ligou 33 vezes para a amiga que não retornou por causa de uma briga delas.
As amigas estavam separadas porque Cassie tentava se recuperar de  bulimia e a Lia era um "mal exemplo".
Agora Lia vê o fantasma da amiga e se culpa pela morte dela. A história já seria bem trágica por conta dessa perda precoce se não fosse pela anorexia que Lia tem de alguns anos. Além da anorexia ela se corta, e ainda precisa contornar os cuidados e a vigilância dos pais e de sua madrasta depois de sair de uma internação por conta da doença. Assim o livro não é só trágico ele é devastador.



 Por um lado eu diria que foi-até agora- minha melhor escolha para o desafio literário (e que desafio), por outro lado eu digo que foi um tanto quanto dolorosa essa leitura. Se arrastar pelo mundo, pelos pensamentos, da personagem principal foi desorientador, confuso e horrivelmente familiar. Você entra de corpo e alma no mundo de alguém com  distúrbio alimentar em fase avançada. E toda a rotina daquela pessoa gira em torno das contagens de calorias de um alimento, de enganar os pais para continuar a não se alimentar, e se autodepreciar.

" Mostrei a ela como andava fazendo cortes pequenos na pele para deixar a maldade e a dor escorrerem..A dor dos cortes tinha um sabor diferente. E ajudava a pensar sobre como meu corpo, minha família e minha vida tinham sido roubados de mim, ajudava a não me importar..."



Depois que vi a resenha no canal da Pam Gonçalves eu não entendi bem porque eu precisava ler algo tão pesado, mas eu percebi que eu precisava sair do torpor, eu precisava entender, eu precisava me identificar, eu precisava sofrer. É como alguém que faz automutilação para poder se sentir viva, eu tinha que sentir o peso e saber as razões de alguém fazer algo tão maléfico a si mesmo, porque ao entrar nos pensamentos de Lia e ver no que a vida dela se transformou eu tinha que ver no que EU estava me tornando. Enquanto a protagonista via o fantasma da melhor amiga eu via os fantasmas do meu passado, é como se esses anos eu estivesse com a visão embaçada, e agora eu vejo minhas cicatrizes internas, quase sumidas.
O livro é cruel, é toxicante, é difícil, é arrasador, é como estar em um quarto escuro e aos poucos, enquanto as luzes se acendem você enxerga os monstros à espreita e não faz ideia do que eles possam fazer com você.
E se você está se perguntando o que eu pude extrair de bom dessa leitura eu te digo: empatia e compreensão. Por mim e pela Lia. Eu um dia pensei que as meninas que fazem tudo isso consigo mesmas eram superficiais. E apesar de ter aposentado esses meus pensamentos equivocados eu tive que entrar mais profundamente nesse mundo.

Garotas de vidro foi o livro que me despiu. Tire você também, tire essa maquiagem, tire essa química do cabelo, tire esses enfeites, tire essa roupa bonita. Dê uma boa olhada no espelho. Diga a si mesma que é bonita. Respire bem fundo. Afaste os objetos cortantes. E leia Garotas de Vidro.



2 comentários:

  1. Babí, adorei a resenha!
    Imagino então que essas resenhas que são as mais difíceis de fazer são também as que ficam melhores. São impactantes!
    Você conseguiu impactar assim como conta que o livro faz. Eu tenho que dizer a verdade: já pensava em ler o livro mas agora estou não só curiosa como também com receio... Estou lendo alguns livros ao mesmo tempo e dois deles são um pouco pesados e de vez em quando me sinto exausta por imaginar e sentir um pouco de tudo aquilo que as personagens vivem, imagina uma leitura com essa temática?

    Espero, um dia, criar coragem para ler Garotas de Vidro.

    Um beijo!
    Adriana

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  2. Oi Dri, é perfeitamente compreensível sentir receio em lê-lo mas é inadmissível não lê-lo sabe? Eu achei a leituras mais essencial da minha vida. Não só pelos meus próprios problemas mas por todas as garotas do mundo, para entender a podridão que nos cerca sabe?
    Claro que a reação de cada pessoa vai ser diferente, ele pode ter sido impactante p mim mas não muito p vc. Isso é normal, mas ninguém que eu li ou vi na internet não se chocou...
    Eu espero que vc leia, de coração, pq saberia se o que eu senti é só comigo.
    Se vc ler, por favor, corra e venha conversar comigo.
    Beijos

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